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O que acontece numa fábrica de iPhones na China, segundo um funcionário
17/04/2017 - 18h43 em Tecnologia

Dejian Zeng é um estudante da Universidade de Nova York que contou ao site norte-americano Business Insider a história sobre um projeto de verão bem incomum. O universitário passou seis semanas trabalhando na Pegatron, uma das fábricas contratadas pela Apple na China.

O jovem de descendência asiática estuda para trabalhar em organizações de direitos humanos, e por isso decidiu se "infiltrar" numa linha de produção da Pegatron para conferir em primeira mão as condições de trabalho das pessoas pagas para construir e montar os iPhones vendidos pela Apple em todo o mundo.

Não é de hoje que a Apple é alvo de críticas pela decisão de contratar fábricas chinesas para produzir peças e montar unidades do seu principal produto. O presidente norte-americano Donald Trump, por exemplo, foi eleito sob a promessa de que faria a Apple trazer a produção do iPhone para solo americano e, assim, gerar emprego para os cidadãos do próprio país.

Por outro lado, a empresa também é criticada por ser supostamente negligente quanto às condições de trabalho nessas fábricas chinesas. Reportagens da BBC (em 2014) e da Bloomberg (em 2016) mostraram que, em diversos casos, funcionários são obrigados a trabalhar além do horário contratado em fábricas como a Pegatron.

Zeng, em uma longa entrevista ao Business Insider, contou o que viu nas seis semanas em que trabalhou na linha de produção do iPhone na China. O estudante conta que trabalhou no setor responsável por finalizar a montagem do dispositivo, e que teve contato tanto com o iPhone 7 quanto com o iPhone 6s.

O jovem era encarregado de instalar o alto-falante nos iPhones, e diz que seu trabalho, durante muitos dias, consistia em apenas prender um único parafuso à traseira do dispositivo. "É simples, mas é esse o seu trabalho. De novo e de novo, por dias inteiros", contou Zeng. "Após alguns dias", ele diz, "eu consigo rosquear esse parafuso de olhos fechados".

Zeng também conta que os funcionários têm muito tempo livre após encerrar o trabalho, mas diz que dispositivos eletrônicos são proibidos no piso da fábrica, de modo que "não tem nada para fazer". Por vezes os supervisores dos funcionários pedem até que eles "mantenham a voz baixa" enquanto conversam.

O estudante fez o turno da noite, que começa às 19h30 e dura, geralmente, oito horas, sem contar uma pausa de dez minutos e outra de 50 minutos. Ele diz que a maioria dos funcionários aproveita esses primeiros dez minutos para dormir em suas estações ou ir ao banheiro - "só dá para fazer uma coisa", ele diz.

Na segunda pausa, os operários almoçam juntos no refeitório local. "Geralmente são três vegetais, uma carne e arroz", comenta Zeng. Algumas pessoas aproveitam o tempo livre nessa pausa para dormir mais um pouco, em sofás "não muito confortáveis" que ficam no pátio da fábrica em áreas de recreação. Segundo o estudante, porém, é proibido deitar-se.

Olhar Digital

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